Archive for April, 2010

37 – Trechos do Prólogo


2010
04.22

Acreditei: “apenas uma taça de vinho e você retorna ao seu mundinho patético.”. Não enxergava mais nada naquele momento, porém minha mente transmitia imagens desconexas: uma linda mulher de olhos verdes; uma espada quebrada; sangue jorrando de minhas mãos; crianças correndo num campo de centeio; um avião explodindo numa forte tempestade.

Senti um forte tapa em meu rosto. Acordei, mas preferia o pesadelo. Estava cercado por soldados romanos com semblante dúbio, uma mistura curiosa de fúria e medo. Curiosamente não me atacavam. Tentei levantar, mas fui impedido por uma voz: “fique aí meu filho, pois somente assim conseguirei protegê-lo”. Quanta loucura. Posso dormir novamente?

O tempo padecia com aquela misteriosa voz. Algo como ausência de tempo, entende? Nem eu. Olhava para o horizonte e enxergava a escuridão, ou melhor, ausência de luz. São semelhantes e ao mesmo tempo diferentes. Não compreendo o que está acontecendo, mas aos poucos o conforto toma conta do ambiente.

“Meu filho, corra para a escuridão, estou lá esperando sua alma, sua mente.”. Mais uma vez aquela voz estranha. Levantei-me e corri velozmente para a escuridão, procurando algo que fizesse sentido. Fui tomado por uma estranha força. Um estranho prazer. Sem controle, lágrimas escorriam de meus olhos. Formou um rio, um rio de lágrimas, elevando meu corpo ao topo do nada, do vazio. Um novo mundo, um mundo sem sentimentos, com ausência de tempo; ausência de luz. Fechei os olhos, dormi.

São Paulo, 25 de abril de 1997, o jornal O Estado Maior noticiava o nascimento do salvador. Aquele que tornaria possível a criação de um novo mundo. De uma nova era.

Seattle, 07 de março de 2008, o Seattle Daily News assusta seus leitores com a foto de um estranho ser na primeira página: “Estranha forma de energia foi flagrada ao lado do Westin Hotel”.

Ausência de luz. O inicio de uma nova era.

Estava num santuário erótico rodeado por belas pessoas. Ouvi uma voz doce suspirando em meu ouvido: “Zayin, venha sentir meu corpo. Imploro por seu néctar imortal”. O prazer tomava conta dos meus sentidos e numa simples fração de segundo sentia bocas suaves e úmidas percorrendo meu corpo. Aqueles olhos verdes penetravam minha alma, enquanto meu sexo fervia e pulsava no delicioso pecado daquela deusa. Ela cavalgava e sussurrava deliciosas palavras: “Zayin, sinta o gosto de minha saliva misturada com o néctar das ninfas. Exploda de prazer meu homem, quero seu tesão dentro de mim. Olha que loucura aquela ninfa sendo possuída por dois machos e aquele outro macho sendo devorado por três ninfas”. Não consegui segurar meu prazer, inundei aquela deusa com meu néctar. Apaguei novamente.

Não estava satisfeito com meu emprego naquela tecelagem. Nunca gostei de ações repetitivas e certamente ali não era o meu lugar. A vantagem é que era apenas mais um. Talvez um número naquele universo interminável de pessoas. Não poderia me expor naquele momento, pois Javier o implacável assassino estava a minha procura. Sabia que um segundo encontro seria fatal, sem a menor chance de defesa.

Estava debilitado recuperando aos poucos meus sentidos. Haviam dois momentos: as primeiras doze horas do dia alimentavam meus sentidos com memórias de minha infância e a segunda metade extirpava minha alma com imagens aterrorizantes de meu passado. Era um conta-gotas cruel, sem fim.

Tenho saudade do que não vivi. Daquilo que não conheci. O tempo foi impiedoso comigo, deixou marcas em minha alma. De que adianta viver trezentos anos sem passado e de forma anônima. Um pacto implícito foi rompido, sem vida explorando os rumos da obscuridade. O poder a mim concedido não permite que o tempo compre passagem de volta. Prefiro lembranças e não saudades. Ter urgência na saudade é humano, um sentimento nobre.

Prossigo no meu tempo ou na ausência dele.

Helena era uma mulher forte, linda e determinada. Nos conhecemos na época do colégio. Ela preferia história e eu matemática. Nossas idéias eram totalmente contraditórias, porém nossa amizade alimentava-se da cumplicidade de nossos anseios. Meu coração sempre disparava em sua presença, mas por ser exato o amor não cabe em si. Nunca tive vontade de beijá-la, de possuí-la. Ela confessava sua promiscuidade sem pudor, com detalhes de tirar o fôlego. Um dia fantasiava satisfazer os desejos mais profundos e insanos do padre Clemente, num outro momento transaria com suas melhores amigas. Estranhamente não sentia prazer naquelas palavras. Ficava apreensivo, porém curioso por ouvir novas aventuras.

Como pode uma mulher tão bela e inteligente ter um grau infinito de promiscuidade? Certa vez soube que ela havia transado com dois professores ao mesmo tempo e que um terceiro observava ofegante aguardando sua vez. Helena era insaciável, mas comportava-se bem diante a sociedade. Só não conseguia entender como as pessoas que transavam com ela, esqueciam completamente o fato. Era como se nada tivesse acontecido.

…havia indícios em todas as partes, inclusive na bíblia sagrada:

Ezequiel 37.1 Eu senti a presença poderosa do Senhor e o seu Espírito me levou e me pôs no meio de um vale onde a terra estava coberta de ossos.

A ausência da fé cegou minha alma para as sagradas palavras. Perdoe-me Pai, faça de meu corpo o seu exército, seu santuário iluminado.

“Zayin meu filho, tens a força de 300 homens, mas seu coração foi tomado pela escuridão da vingança. Temo perdê-lo para a Horda de Ouro. Não existe livre-arbítrio, mas sua alma é onipresente e tem o poder de livrá-lo”.

Era necessário revelar o segredo, mas de maneira cautelosa. Fiz alguns cálculos e concluí que teríamos um período de segurança entre os dias 25 de julho de 2008 e 24 de abril de 2011. Além disso, era necessário conhecer “O Mensageiro”. Como encontrá-lo num universo de seis bilhões de pessoas? Poderia ser um recém nascido, assim como um idoso de 100 anos. Para isso não havia cálculo, somente instinto.

Minha alma percorreu diferentes lugares, desde o mais belo até o mais obscuro e finalmente encontrou “O Mensageiro”. Ele estava em Seattle em meados de março de 2008, hospedado no Westin Hotel para uma conferência internacional de tecnologia.

Para chegar próximo ao mensageiro era necessário utilizar a Luz de Saturno o que poderia causar forte espanto na população. A chance era única e não havia outra alternativa. Invoquei a força de meus espíritos, me aproximei do Westin Hotel e disparei a Luz de Saturno com o objetivo de proteger o perímetro.

Após longa conversa consegui convencer o Mensageiro de publicar o livro sobre o fenômeno 37. Todo o material foi entregue com máxima proteção.

A partir de agora o Mensageiro, conhecido por seu povo como E.Facunte, terá proteção 24 horas de meus guardiões Nadzi e Bear Face.

Boa sorte E.Facunte.

Zayin.

37 – Prologo (parte VII)


2010
04.22

Era necessário revelar o segredo, mas de maneira cautelosa. Fiz alguns cálculos e concluí que teríamos um período de segurança entre os dias 25 de julho de 2008 e 24 de abril de 2011. Além disso, era necessário conhecer “O Mensageiro”. Como encontrá-lo num universo de seis bilhões de pessoas? Poderia ser um recem nascido, assim como um idoso de 100 anos. Para isso não havia cálculo, somente instinto.

Minha alma percorreu diferentes lugares, desde o mais belo até o mais obscuro e finalmente encontrou “O Mensageiro”. Ele estava em Seattle em meados de março de 2008, hospedado no Westin Hotel para uma conferência internacional de tecnologia.

Para chegar próximo ao Mensageiro era necessário utilizar a Luz de Saturno o que poderia causar forte espanto na população. A chance era única e não havia outra alternativa. Invoquei a força de meus espíritos, me aproximei do Westin Hotel e disparei a Luz de Saturno com o objetivo de proteger o perímetro.

Após longa conversa consegui convencer o Mensageiro de publicar o livro sobre o fenômeno 37. Todo o material foi entregue com máxima proteção.

A partir de agora o Mensageiro, conhecido por seu povo como E.Facunte, terá proteção 24 horas de meus guardiões Nadzi e Bear Face.

Boa sorte E.Facunte.

Zayin.

37 – Prólogo (parte VI)


2010
04.21

…havia indicios em todas as partes, inclusive na biblia sagrada:


Ezequiel 37.1 Eu senti a presença poderosa do Senhor e o seu Espírito me levou e me pôs no meio de um vale onde a terra estava coberta de ossos.

A ausência da fé cegou minha alma para as sagradas palavras. Perdoe-me Pai, faça de meu corpo o seu exército, seu santuário iluminado.

“Zayin meu filho, tens a força de 300 homens, mas seu coração foi tomado pela escuridão da vingança. Temo perdê-lo para a Horda de Ouro. Não existe livre-arbitrio, mas sua alma é onipresente e tem o poder de livrá-lo “.

37 – Prólogo (parte V)


2010
04.20

Helena era uma mulher forte, linda e determinada. Nos conhecemos na época do colégio. Ela preferia história e eu matemática. Nossas idéias eram totalmente contraditórias, porém nossa amizade alimentava-se da cumplicidade de nossos anseios. Meu coração sempre disparava em sua presença, mas por ser exato o amor não cabe em si. Nunca tive vontade de beijá-la, de possuí-la. Ela confessava sua promiscuidade sem pudor, com detalhes de tirar o folego. Um dia fantasiava satisfazer os desejos mais profundos e insanos do padre Clemente, num outro momento transaria com suas melhores amigas. Estranhamente não sentia prazer naquelas palavras. Ficava apreensivo, porém curioso por ouvir novas aventuras.

Como pode uma mulher tão bela e inteligente ter um grau infinito de promiscuidade? Certa vez soube que ela havia transado com dois professores ao mesmo tempo e que um terceiro observava ofegante aguardando sua vez. Helena era insaciável, mas comportava-se bem diante a sociedade. Só não conseguia entender como as pessoas que transavam com ela, esqueciam completamente o fato. Era como se nada tivesse acontecido.

37 – Prólogo (parte IV)


2010
04.20

Tenho saudade do que não vivi. Daquilo que não conheci. O tempo foi impiedoso comigo, deixou marcas em minha alma. De que adianta viver trezentos anos sem passado e de forma anônima. Um pacto implícito foi rompido, sem vida explorando os rumos da obscuridade. O poder a mim concedido não permite que o tempo compre passagem de volta. Prefiro lembranças e não saudades. Ter urgencia na saudade é humano, um sentimento nobre.

Prossigo no meu tempo ou na ausência dele.