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Você concorda com o preço dos livros técnicos e de negócios no Brasil?
Tenho certeza que a maioria não aprova. Não só por conta do valor abusivo, como pela qualidade e conteúdo repetitivo.

Veja como é composto o valor de um livro técnico (exemplo livro com 250pgs):
- preço de capa = R$ 70,00
- comissão do autor = R$ 7,00 (em torno de 10% do preço de capa)
- gráfica = R$ 7,50 (custo médio unitário p/ lote minimo de 1000 exemplates)
- logistica/manuseio = R$ 1,00
- valor pago pelos varejistas = R$ 42,00

Com isso o varejo tem uma margem razoável para negociar o livro.

Neste exemplo observamos que a editora fatura cerca de R$ 26,00 e o varejo em torno de R$ 28,00 caso comercialize pelo preço cheio.

Temos que respeitar os custos operacionais de cada lado, no entanto quem menos recebe pela obra é o próprio autor. Por que?

Outro fato inexplicável é o valor cobrado por um livro técnico/negócios se comparado a livros de ficção, por exemplo. Essa mesma premissa é observada em livros didáticos e paradidáticos. Não deveria ser o contrário? Aprendizado com custos mais baixos e demais literaturas com valor pouco acima?

Você sabe o que muda com a chegada dos ebooks? Será que os preços continuarão com tal discrepância? Se os custos irão baixar, por que não repassar para o consumidor?

Uma das grandes vantagens da próxima onda (ebooks) é a publicação de livros sem a necessidade de uma editora. Com isso qualquer autor terá sua obra disponível nesse grande mercado que está se formando. Creio que arrecadará de forma mais justa seus direitos autorais, bem como poderá atingir maior número de leitores por conta da facilidade de comercialização em qualquer país.

Bem, saindo em defesa das editoras, há forte investimento em marketing e distribuição de determinadas obras, sem contar com a transparência no levantamento dos direitos autorais.

O que você acha de tudo isso? Vamos lá. Comente.



  1. Paulo on Wednesday 10, 2010

    Mesmo com eBoks a editora pode ser importante na questão de marketing, revisão e “Formatação”, ela ainda fazendo a sua parte o livro poderá render mais ao autor mesmo o consumidor pagando bem menos, estou certo? Afinal transporte, lucros sobre lucros e frete (entrega) seriam eliminados ou reduzidos… porque ela mesmo (editora) poderá comercializar as obras. Espero um reply :-)

  2. facunte on Wednesday 10, 2010

    Olá Paulo,
    Sua colocação está correta. A revisão, formatação, entre outros pontos, normalmente são muito bem elaborados, no entanto os custos envolvidos neste ponto são fixos e não por volume comercializado.
    De qualquer forma não creio que as editoras estejam preparadas para comercializarem ebooks com recursos próprios. Demanda um forte investimento de gerenciamento de DRM, além de aplicações e dispositivos específicos para leitura. A não ser que a editora comercialize PDFs ou ePubs livres de DRM, o que eu duvido.

  3. Denis Petri on Wednesday 10, 2010

    Realmente não da para entender porque o autor ganha muito menos que todos os outros envolvidos, sendo que todo o esforço de produção intelectual é dele. Mas tenho certo receio com ebooks, pois como você mesmo disse qualquer um vai poder fazer sem precisar de editora e hoje em dia já temos um exemplo de disseminação de informações erradas: a internet! O que vai aparecer de escritores caça níquel não ta escrito :) Existe uma lei perambulando por ai sobre uma ajuda a leitura para assalariados, mas não sei como esta isso. Sei que a comparação em relação a valores de livros traduzidos é bem maior justamente pelo trabalho de tradução e revisão (apesar de que as revisões de livros traduzidos técnicos são bem porcas), mas algumas vezes este valor é absurdo! A única solução que vejo seria as editoras mudarem sua mentalidade, mas duvido que isto aconteça.

  4. facunte on Wednesday 10, 2010

    Boa Denis,
    Penso que hoje as editoras estão com filtro desligado. Há muita coisa ruim no mercado, porém há gosto para tudo, certo?
    A questão da disseminação de informações erradas acontece desde Adão e Eva e continuará acontecendo.
    Sobre os valores praticados para tradução e revisão técnica, continuo afirmando que é um custo fixo e nem é tão alto assim. O Alfred Myers poderia elucidar este tópico, já que ele trabalhou com alguns materiais e participou de revisões técnicas.
    Gostaria de ter acesso ao texto da lei que você citou. Vou buscar maiores informações.

  5. Diego Nogare on Wednesday 10, 2010

    Fala pessoal, belê?

    Acredito que assim que os e-books engrenarem de verdade, e os leitores (dispositivos) desse tipo de mídia ficar acessivel à todos, creio que surgirá uma nova profissão. FORMATADORES DE EBOOKS. São profissionais que já trabalharam com diagramação e formatação de livros em editoras, e que fazem um trabalho profissional cobrando diretamente do autor. O trabalho será bem feito por causa da experiência do formatador e o autor não precisará se vincular à nenhuma editora para vender seu ebook.

    Outra coisa que vejo que surgirá, será um marketplace global onde todos poderão ofertar seus livros, vendendo para a plataforma que “compilarem” e cobrando o valor que quiser. Será algum tipo de Mercado Livre de ebooks, sem ter tributação em cima (como no mercado livre).

    Hoje em dia, o livro no Brasil é realmente um abuso. Quando a gente compra um livro extrangeiro e manda entregar aqui, sai mais barato do que comprar a versão traduzida (que por sinal em algumas vezes é porcamente traduzida!)

    Acho o assunto bem interessante, vamos debater mais!

  6. Alfred Myers on Wednesday 10, 2010

    Escritor caça-níquel já tem de monte por aí. O problema não está nem em ser caça-níquel e sim no fato da qualidade geralmente desse pessoal ser muito, mas muito ruim.
    Se o cara for caça-níquel, mas a qualidade for boa e atender às necessidades do leitor que seja! Na época do Clipper mesmo, tinha um cara caça-níquel que lançava livros praticamente toda semana (tá bom.. exagerei). Na época alguns destes livros me foram muito úteis como iniciante de programação que eu era, mas não demorou muito para eu começar a buscar livros com melhor conteúdo.
    A parte boa da distribuição eletrônica é que EM TESE, há como se eliminar alguns dos intermediários ou substituí-los por opções mais baratas (distribuição eletrônica), eco-friendly, etc e tal.
    Resta ver se esta redução realmente vai acontecer ou se o que veremos é somente a troca dos intermediários com o autor continuando a ganhar a mesma merreca.

  7. Rodolfo on Wednesday 10, 2010

    Facunte,

    Eu concordo que todo mundo deve ter lucro, inclusive o governo. Vejo também que um livro de ficção deve ser mais barato que o livro técnico porque ele atinge uma gama muito maior de pessoas. Até aí, tudo bem.

    Concordo plenamente que o livro técnico deveria ser mais barato, nem que ele tenha que ser subsidiado, afinal de contas, a finalidade do livro técnico é a educação, como você bem disse.

    O que fico me perguntando é, qual é a mágica que países como os EUA fazem? Como que a indústria de livros consegue sobreviver (e pagar bem os autores) com preços como 10, 20 dólares por livro? Será que o mercado deles é TÃO GIGANTESCAMENTE MAIOR QUE O NOSSO? Será que é somente isso?

    Partindo do pressuposto que grande parte do valor do livro é a fatia da editora, a perspectiva para os eBooks não são nada boas, não acha? Ao passo que eles deveriam custar algo em torno de 20, 30 reais, isso não satisfará a necessidade das editoras, correto?

    Parabéns pelo tópico e obrigado por levar adiante a discussão!!

    Vamos promover o debate.

    Abraços,

    Rodolfo

  8. Alfred Myers on Wednesday 10, 2010

    @Facute: Eu ajudei na revisão do “.NET Framework Standard Library Annotated Reference, Volume 2 :Networking Library, Reflection Library, and XML Library” (http://bit.ly/csBmXH) como voluntário. Não recebi nada além do reconhecimento em forma de citação na página de agradecimentos do livro. Também dei alguns pitacos em alguns livros e artigos nacionais, mas sempre de forma voluntária.

  9. Adriano Santos on Wednesday 10, 2010

    Olá pessoal,

    Embora um pouco por fora do negócio dos ebooks, acho uma excelente idéia e isso tem outros bons motivos para dar certo um deles é a redução do desmatamento, menos árvore para imprimir livros.

    Quanto a redução de custos tanto de publicação do ebook quanto de produção/distribuição dos livros convencionais acredito que a baixa nos preços será muito mínima, pelo menos no Brasil. Aqui é muito oba oba, ninguém quer perder nada, nenhum centavo.

    Eu concordo plenamente que os livros técnicos deveriam ser realmente mais baratos enquanto que livros de literatura um pouco mais caros.

  10. Paulo Pilão on Wednesday 10, 2010

    Alguma dúvida que com os eBooks, o pdf seguirá o mesmo caminho do mp3? E as editoras ficarão no mesmo barco que as gravadoras.

  11. Denis Petri on Wednesday 10, 2010

    Aqui tem o site para a lei do vale cultura. http://blogs.cultura.gov.br/valecultura/

  12. facunte on Wednesday 10, 2010

    Diego ter um repositório global, algo como o Mercado Livre de ebooks é um pouco inviável, no entanto sua idéia é plausível. O problema é gerenciar DRMs, diferentes eReaders, dispositivos, etc.

    Alfred, acho um absurdo você realizar uma revisão técnica e “ganhar” apenas reconhecimento. Engraçado que a editora ganha, o varejo ganha, a logistica ganha e o revisor NADA? Abuso. Esse lance de “ganhar” reconhecimento é discutível. A propósito, parabéns por sua revisão técnica = “engordei seu bolso com meu reconhecimento, ok? :)

    Rodolfo, creio que o idioma inglês colabore para alavancar as vendas dos títulos, propagando para o mercado mundial. Assim um livro técnico pode alcançar vendas semelhantes a outros tipos de literaturas se comparadas ao mercado local. Ex: André VIanco é um excelente autor de livros sobre Vampiros, muito melhor do que Crepusculo e afins, porém só atingiu o mercado nacional. Se fosse na lingua inglesa, detonaria tudo. Se compararmos um bom livro técnico em ingles, creio que o mesmo vendeu igual ou talvez mais do que André Vianco, sacou?

  13. facunte on Wednesday 10, 2010

    Fala Paulo Pilão,
    De certa forma os livros digitais seguirão o mesmo caminho do MP3. Se as editoras não se mobilizarem vai complicar. A diferença é que o esquema já está nascendo com DRM e ficará mais dificil compartilhar na net. Claro que há esquema pra tudo, não é?

  14. Diego Nogare on Wednesday 10, 2010

    Pessoal, não vejo que o “Mercado Livre de ebooks” seja uma má idéia. Hoje já temos marketplaces para vender jogos para celulares, consoles. Temos o Xbox Live e o PlayStation Home, que você pode encontrar itens para sua biblioteca de games e DEMOS. Porque não ter a mesma coisa para ebooks?!

    Acho errado ter que pagar imposto em tudo que compramos, infelizmente no Brasil pagamos impostos e não vemos a grana sendo colocada onde deveria. Se o dinheiro dos impostos fossem colocados onde são destinados, não veria problema em ter os pago, pelo contrário, não teria asco de ter o feito! Tem países que os impostos são tão altos quanto aqui, mas nesses países tem educação, saúde e transporte de verdade. Veja se o povo desses países reclama dos impostos…

    Hoje já tem site que disponibiliza (pirateia) ebooks dos livros impressos. Geralmente nos livros da Microsoft Press, e de outras editoras também, o livro vem com um CD. Neste CD vem o livro em PDF. Esses sites armazenam o PDF do livro e entrega de alguma forma, cobrando ou não, para seus visitantes. Isso eu acho errado! Mas também acho errado eu ter que pagar R$150,00 num livro da Microsoft Press para aprender alguma coisa.

  15. facunte on Wednesday 10, 2010

    Hey Dieguito não é má idéia ter um Mercado Livre dos eBooks. Me expressei mal. Vamos lá: para ter um repositório global de ebooks é necessário um forte gerenciamento de DRMs, contrato com editoras (cada uma tem uma maneira de negociar), autorização dos autores, politica de distribuição do eBook (quantos dispositivos habilitaremos para cada compra), entre outros pontos.

    Imagine que você é autor e irá comercializar seu eBook neste Mercado Livre. O comprador poderá ler seu eBook em qualquer lugar? Como? Se isso acontecer temos aí o mesmo esquema dos MP3, ou seja, o comprador poderá compartilhar com qualquer pessoa. Agora se tivermos um gerenciamento de DRMs onde o comprador poderá ler em apenas 2 ou 3 dispositivos diferentes é bem mais interessante. Pense que para implementar isso, necessitamos definir se tal leitura estará disponível em PCs, MAC, eReaders, iPhone, Windows Mobile, etc. Aí começa a brincadeira. Parece simples, mas não é.

  16. Diego Nogare on Wednesday 10, 2010

    Então, o controle de DRM e o dispositivo que será “compilado” serão definidos pelo autor. Ele escolhe pra qual dispositivo ele quer publicar sua obra. O esquema que a Apple fez com o IPod, de não poder compartilhar a musica entre dispositivos tem tudo a ver com essa idéia de só quem compra que pode ler.
    Concordo que o buraco é bem mais em baixo, não é tão simples fazer esses controles, mas não é algo impossível.
    Se os fabricantes de dispositivos tiverem interesse real em fazer a utilização de ebooks superar as de livros físicos, eles provavelmente vão liberar os SDKs para compilação de seu padrão. Se não for gratuito, poderia ser um valor bem acessível para todos os autores independentes.

  17. Vinicius Santos on Wednesday 10, 2010

    Porque a sociedade precisa de gráficas e editoras se temos os E-Books agora ?
    Qual seria o papel dessas empresas na sociedade ?

    Precisamos continuar evoluindo, tenho certeza que a NF-e já deixou alguns empresários carecas.

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